Quero o solo firme
Escolho a vida. E a escolho a despeito da. névoa pesada que ainda me cobre a alma Anseio pela risada que me solta o corpo em um fim de tarde qualquer, pelo vento que anuncia a liberdade sem pedir que eu a prenda. Quero, acima de tudo, enterrar raízes neste chão. Baste de viver de sombras, de rascunhos de histórias jamais escritas. O passado consumiu o que deveria ter sido o meu presente. Agora, desejo a troca sincera: dar colo e ser refúgio. Quero ser âncora na vida de quem me é caro. E, nos momentos em que a lembrança da partida voltar a doer, que eu possa sentir essa dor e, mesmo assim, lembrar-me do milagre de todas as belezas que a vida ainda insiste em me mostrar. Que a declaração deste desejo seja o meu solo mais sagrado, onde posso correr, pisar fundo e me entregar, sem reservas, a tudo o que a vida me proporcionar.