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Mostrando postagens de setembro, 2025

Exigências da Adultização

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  Meu relógio parou aos quinze. Foi como se a realidade tivesse apertado um freio brusco — e doeu. Desde cedo aprendi que chorar devia ser calado, escondido, sem testemunhas. Mas como poderiam saber da tristeza se nenhuma lágrima caía? Então, diante das dores profundas, criei refúgios dentro da mente: imagens que me embalavam até o sono chegar. Eu nunca quis ser adulta quando criança — e talvez esse desejo tenha ecoado tanto que ficou na minha voz suave, nos gostos que conservo até hoje. Desenhos, cores, pequenos mundos... não como fuga, mas como remédio para um coração tantas vezes partido. Não me dói amar o que é considerado infantil. O que dói é o olhar dos que esperam meu “crescer”, como se houvesse uma obra-prima escondida atrás de um tapume eterno. E ali permaneço — visível e invisível, plena e inacabada, palpável e ao mesmo tempo intocável.

O peso das versões

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  Escrever sobre sentimentos quando o único que conheço é a tristeza é como escrever sobre alguém sem nunca ter me encontrado. Gostar de gatos não me faz saber deles, assim como falar de patos não me torna íntima de seus lagos. Na adolescência, se eu não soubesse o nome de tal baterista seria chamada de poser — adolescentes falham, tropeçam em sua tolice. Às vezes digo que amo um prato, mas na verdade meu estômago é uma bomba relógio, minha ansiedade mastiga mais do que eu, meu corpo engole remédios enquanto minha mente engole silêncio. Sou 8 ou 80. E essa gangorra me cansa. A bipolaridade é a única certeza, os outros diagnósticos ainda esperam atrás de portas fechadas. Muitos querem ser diferentes. Eu só queria ser normal — caber num padrão qualquer, ser um rosto comum, não ver olhares estranhos quando a minha diferença fala mais alto que eu.

Olhos que brilham em som

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Memórias auditivas — aqui estão vocês, guardadas em algum canto do cérebro como pequenos escapes de saída. São o que dão graça ao cenário, entre o suspense, a alegria, a tristeza e até o medo. Por muito tempo, escutei Yellow do Coldplay. Era alto, constante, uma letra bonita, mas que em mim despertava a melancolia da existência. Então, resolvi soprar as traças de lembranças boas em tardes ensolaradas. E ali estava Everybody Wants to Rule the World tocando baixinho. Para mim, era um recomeço depois de tantas coisas ruins. Eu estava parada no tempo, mas a melodia me contagiava com uma alegria quase ingênua. Mais tarde conheci meu primeiro amor puro, sem nada em troca. Foi quando coloquei as mãos sobre um pequeno gato de pelagem preta, que chamei de Sunny. No tato, ela era palpável como sentimento — e ainda é. Com ela, aprendi que cenários de pura fofura merecem replay na música. Assim, sempre toca Ikn do Coldplay, quebrando as barreiras da minha mente.

Corpo, alma e lugar

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  Já sentiu como se pertence-se a tal lugar? Sentimento de pertencimento, quando algo te invade o peito, te enche só de olhar, o ambiente daquele lugar é reconfortante, te traz calma na alma; se fosse um aroma seria tangerina recentemente descascada e se fosse resumida em um dia, seria sábado de manhã ensolarado...Bem, seria quando acordava cedo para assistir desenhos e não se preocupava com afazeres. Eu sinto isso no meu bairro em que moro hoje, é vazio de gente mas tem muitos pássaros nas árvores, sinto que quando estou longe até me divirto e distraio, mas quando retorno sinto sensação de preenchimento, algo que trouxe-se segurança e afeto, nada como o lar da gente! E então logo penso, "Será que até quando envelhecer sentirei isso? Ou o tempo irá apagar lembranças boas?" ...Minha Vovó de vez enquando só lembra do sítio de sua adolescência e pra lá que deseja ir ao seus 94 anos, um sítio desfeito com o tempo mas não desfeito na lembrança de pertencimento!