Exigências da Adultização
Meu relógio parou aos quinze. Foi como se a realidade tivesse apertado um freio brusco — e doeu. Desde cedo aprendi que chorar devia ser calado, escondido, sem testemunhas. Mas como poderiam saber da tristeza se nenhuma lágrima caía? Então, diante das dores profundas, criei refúgios dentro da mente: imagens que me embalavam até o sono chegar. Eu nunca quis ser adulta quando criança — e talvez esse desejo tenha ecoado tanto que ficou na minha voz suave, nos gostos que conservo até hoje. Desenhos, cores, pequenos mundos... não como fuga, mas como remédio para um coração tantas vezes partido. Não me dói amar o que é considerado infantil. O que dói é o olhar dos que esperam meu “crescer”, como se houvesse uma obra-prima escondida atrás de um tapume eterno. E ali permaneço — visível e invisível, plena e inacabada, palpável e ao mesmo tempo intocável.