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Jogos de azar

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  Ser diferente é como jogar diversas vezes num jogo e nunca ser contemplado e ali se fez meu diagnóstico tardio "Autismo nível suporte 1 e TDAH". Suas palavras de conforto foram que o tratamento agora seria o correto, antes de me entristecer de vez, cogitei que ali era o começo de vida depois dos meus 27 anos sobrevivendo. Foi quando sentei e olhei a falha, o diferente é doloroso, pelos olhos dos outros muitas vezes você se torna invisível, e quanto vale esse desgaste? E então me pego debatendo mentalmente com frases escutadas de longo os dias "Todos nós temos um pouco de autismo", e o quão pertubante isso soa até porquê anula prejuízos diários, sem olhar de julgamentos, ali se desfaz novamente um trabalho que parecia razoável, e agora se torna esmagador. Equidade: palavra bonita e sem significado algum para algumas comunidades, e aqui se faz um texto de apelo.

Anestesie-me sobre os fatos

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 Assim que os fogos estralaram naquela noite sobre o céu cheio de cores e iluminado, mirei em acreditar em algo bom pela única vez. Entretanto, o ano mal começou com notícias das quais tentávamos relevar, e na maneira de tentar empurrar como se não fosse nada, acabou que me esfaqueando pelas costas. Bem, meu diagnóstico tardio chegou e com ele a decepção de ter tomado um tempo com medicamentos errados e terapia sem avanços, aonde ficava estagnada, sem expectativas e na regressão. Assim que puseram sobre a mesa um laudo "Consta Autismo de Suporte Nível 1" senti que fui anestesiada, todas as manias, os jeitos, momentos em que passei foram resumidos num diagnóstico. Com um golpe eu cai, mas no mesmo tempo pensei "Que alívio saber de aonde vem toda minha personalidade, minhas lembranças reservadas, cheiros inesquecíveis, que anestesia para a alma". E então assim, apesar dos contra-tempos e alguns momentos ruins, esse ano espero me surpreender mais um pouco positivamente...

Quando deixei de acreditar em meus sonhos?

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  Durante a semana passei por um longo reset da minha vida, me fez questionar muitas coisas em que passei ou deixei de passar, teve dias em que congelei durante o tempo e dentre o texto anterior senti que os anos passou e só lastimei. Era questão de remoer muito o passado, ficava tentando entender porquê tinha sofrido rejeição dos meus pais, entanto o que mais doía era lembrar que alguma vez quase morri nas mãos de quem amava. E hoje chego numa lógica e numa conclusão que apesar de ser vítima do enredo todo, não posso levar mais essa dor comigo, não posso mais tolerar ser triste minha vida toda por uma parte, e então pensei "Quando deixei de acreditar em meus sonhos?", até meus 17 anos acreditava que algum dia iria fazer alguma faculdade na área de veterinária ou biologia, sempre expus aos que interessavam e os que não apenas não debatia sobre minhas vontades. Quando então me vi sem sonhos, aos 25 anos cheguei ao que dizem; eu sobrevivia, de 2 remédios num tempo foi para 10 r...

Quero o solo firme

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Escolho a vida. E a escolho a despeito da.    névoa pesada que ainda me cobre a alma Anseio pela risada que me solta o corpo em um fim de tarde qualquer, pelo vento que anuncia a liberdade sem pedir que eu a prenda. Quero, acima de tudo, enterrar raízes neste chão. Baste de viver de sombras, de rascunhos de histórias jamais escritas. O passado consumiu o que deveria ter sido o meu presente. Agora, desejo a troca sincera: dar colo e ser refúgio. Quero ser âncora na vida de quem me é caro. E, nos momentos em que a lembrança da partida voltar a doer, que eu possa sentir essa dor e, mesmo assim, lembrar-me do milagre de todas as belezas que a vida ainda insiste em me mostrar. Que a declaração deste desejo seja o meu solo mais sagrado, onde posso correr, pisar fundo e me entregar, sem reservas, a tudo o que a vida me proporcionar.          

Controle de tempo

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  No espiritismo podemos entender que não existe tempo, o espírito pode vagar dentre passado, presente e futuro. Acredito eu, que Deus não nos deu esse privilégio em vida terrena para aprender com erros, tudo tem consequências. Às vezes me pego pensando se sou merecedora de tais atos bons ou ruins, talvez mais dos ruins quando a tristeza pesa, o corpo demonstra exaustão e as lágrimas caem como se fosse simples, porém não é. Claro que invejo daqueles que tem mansões, carros enormes, vida de luxo e farta, mas invejo muito mais aquele que no meio das dificuldades da vida consegue ver a felicidade, sabe sorrir através dos tombos que a vida nos causa, aquele que a alma transparece bondade, almeja o básico e ajuda o próximo. Bem, acredito eu que viver feliz no simples era a etapa que almejo, eu disse invejar porquê é algo quê queremos pra nós e não algo ruim... E de todavia, acreditar que merecimentos vem através de atos, seja bom e terá bondade em seus caminhos, trace os dias sorri...

Exigências da Adultização

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  Meu relógio parou aos quinze. Foi como se a realidade tivesse apertado um freio brusco — e doeu. Desde cedo aprendi que chorar devia ser calado, escondido, sem testemunhas. Mas como poderiam saber da tristeza se nenhuma lágrima caía? Então, diante das dores profundas, criei refúgios dentro da mente: imagens que me embalavam até o sono chegar. Eu nunca quis ser adulta quando criança — e talvez esse desejo tenha ecoado tanto que ficou na minha voz suave, nos gostos que conservo até hoje. Desenhos, cores, pequenos mundos... não como fuga, mas como remédio para um coração tantas vezes partido. Não me dói amar o que é considerado infantil. O que dói é o olhar dos que esperam meu “crescer”, como se houvesse uma obra-prima escondida atrás de um tapume eterno. E ali permaneço — visível e invisível, plena e inacabada, palpável e ao mesmo tempo intocável.

O peso das versões

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  Escrever sobre sentimentos quando o único que conheço é a tristeza é como escrever sobre alguém sem nunca ter me encontrado. Gostar de gatos não me faz saber deles, assim como falar de patos não me torna íntima de seus lagos. Na adolescência, se eu não soubesse o nome de tal baterista seria chamada de poser — adolescentes falham, tropeçam em sua tolice. Às vezes digo que amo um prato, mas na verdade meu estômago é uma bomba relógio, minha ansiedade mastiga mais do que eu, meu corpo engole remédios enquanto minha mente engole silêncio. Sou 8 ou 80. E essa gangorra me cansa. A bipolaridade é a única certeza, os outros diagnósticos ainda esperam atrás de portas fechadas. Muitos querem ser diferentes. Eu só queria ser normal — caber num padrão qualquer, ser um rosto comum, não ver olhares estranhos quando a minha diferença fala mais alto que eu.