Olhos que brilham em som

Memórias auditivas — aqui estão vocês, guardadas em algum canto do cérebro como pequenos escapes de saída. São o que dão graça ao cenário, entre o suspense, a alegria, a tristeza e até o medo.

Por muito tempo, escutei Yellow do Coldplay. Era alto, constante, uma letra bonita, mas que em mim despertava a melancolia da existência.

Então, resolvi soprar as traças de lembranças boas em tardes ensolaradas. E ali estava Everybody Wants to Rule the World tocando baixinho. Para mim, era um recomeço depois de tantas coisas ruins. Eu estava parada no tempo, mas a melodia me contagiava com uma alegria quase ingênua.

Mais tarde conheci meu primeiro amor puro, sem nada em troca. Foi quando coloquei as mãos sobre um pequeno gato de pelagem preta, que chamei de Sunny.

No tato, ela era palpável como sentimento — e ainda é.

Com ela, aprendi que cenários de pura fofura merecem replay na música.

Assim, sempre toca Ikn do Coldplay, quebrando as barreiras da minha mente.







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